08.31.2009 - Aportes estrangeiros de volta ao Brasil
Os investidores do exterior têm pelo menos uma certeza em relação ao Brasil: a crise, por aqui, já está sob controle e não terá maiores impactos na economia daqui para a frente. A afirmação é de Paulo Guedes, doutor em Economia pela Universidade de Chicago e sócio fundador da BR Investimentos que esteve na sexta-feira em Campos do Jordão no 4º Congresso Internacional de Mercados Financeiro e de Capitais, promovido pela BM&FBovespa.
"Está claro, no exterior, que o Brasil já saiu da turbulência. O País está no momento vivendo o início de um ciclo promissor", afirmou Guedes. "É uma situação inversa à que se observa nos Estados Unidos, onde o quadro poderá piorar", completa.
Na mesma linha, Luiz Otavio Reis de Magalhães, sócio fundador do Pátria Investimentos (um dos maiores investidores em private equity do País), afirmou que o momento é de oportunidade de investimento na economia brasileira. "Há setores muito atraentes no Brasil, como os voltados a consumo interno, infraestrutura e agronegócios", afirmou.
Otimista, Paulo Guedes garante que há "colossais movimentos de capital" na economia global, muitos deles com os olhos no Brasil. Ele assegura que antigos empecilhos ao potencial de crescimento do País deixaram de existir. "Não há mais preocupação, por exemplo, com a falta de mão de obra: pode haver problemas eventuais em um setor, mas como um todo essa hipotética desvantagem desapareceu. Na verdade, chegou-se à conclusão de que o Brasil é que não vai crescer se não tiver mão de obra, não que ela vá ser um obstáculo ao crescimento", afirmou.
Não há nem temor sobre um possível risco-eleição, garante Guedes, como aconteceu em 2002, antes da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Já passamos por várias provas de fogo, como mostrou a recente travessia da crise mundial. Hoje, a percepção dos investidores é mais positiva, qualquer que seja o resultado das eleições."
Luiz Otávio Magalhães, do Pátria Investimentos, também está tranquilo em relação ao risco-eleição. "Os investidores que não aderem ao efeito manada, ou seja, não se obrigam a fazer o que os outros fazem, já sabem que as melhores oportunidades aparecem em situações de incerteza. Por isso, o período pré-eleitoral abre possibilidades de novos negócios, como aconteceu, por exemplo, em 1999: em pleno período de incerteza pela mudança cambial, investidores apostaram por exemplo na formação da Dasa (Diagnósticos do Brasil), e tiveram resultados positivos."
Paulo Guedes considera que esse quadro é ainda mais favorável em setores como o de educação, em que os investidores veem oportunidades de ganhos principalmente no ensino superior: "Há várias iniciativas bem-sucedidas nesse segmento, como a Anhanguera. O cenário é extremamente favorável ao Brasil, desde que também façamos nossa lição de casa".
Governo, a ameaça
O economista Fabio Giambiagi, chefe do Departamento de Gestão de Risco de Mercado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também presente ao encontro, considera que o quadro é atraente para investidores do lado da iniciativa privada -"o lado pujante e promissor da economia"-, mas teme que o otimismo seja menor em relação à área pública: "A despesa primária do governo central vem crescendo seguidamente, saltando de 13,1% em 1991 para 23% este ano, ou seja cresce à taxa de 0,5% ao ano". Giambiagi lembra também que o gasto do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) saltou de 2,5% do PIB em 1980 para previstos 7,5% em 2010, um dos dados mais preocupantes para o País.
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